Treasuries de 30 anos atingem maior nível desde 2007 após manutenção dos juros americanos, pressionando bolsas globais e derrubando Wall Street mais de 2%.

Fechamento de Mercado - BolsaNews

29/07/2026 às 18h30

O Ibovespa fechou em baixa acentuada, na mínima do dia, após o Federal Reserve manter a taxa de juros nos Estados Unidos e os rendimentos dos Treasuries dispararem para patamares não vistos em quase duas décadas. O dólar terminou o dia com leve recuo frente ao real, em movimento dissociado da aversão ao risco predominante no exterior. O cenário externo hostil ditou o tom do pregão doméstico.

Fed mantém juros e Treasuries disparam ao maior nível desde 2007

O principal vetor de pressão do dia foi a decisão do Federal Reserve de manter os juros inalterados, que veio acompanhada de uma reação intensa nos mercados de renda fixa americanos. Conforme informou o InfoMoney, os Treasuries de 30 anos atingiram o maior nível desde 2007, elevando o custo de oportunidade global e deslocando capital de ativos de risco. O movimento contaminou bolsas ao redor do mundo, com Wall Street registrando forte baixa: o Dow Jones recuou mais de 2% e o S&P 500 acompanhou as perdas em escala similar.

Ativo Variação Valor
Dólar ▼ 0,18% 5,117
Ibovespa ▼ 1,52% 173.885
Dow Jones ▼ 2,19% 51.594
S&P 500 ▼ 1,52% 7.316
Nasdaq ▼ 1,74% 24.443
Stoxx 600 ▼ 0,33% 645,01
FTSE 100 ▲ 0,34% 10.908
Petróleo Brent ▲ 3,11% 90,54
Bitcoin ▼ 0,55% 63.498
T-Note 10 anos (yield) ▲ 0,39% 4,622

Às 18h30 (Horário de Brasília)29/07/2026

Petrobras sobe, Santander Brasil desaba: internos divididos

No âmbito doméstico, o mercado operou com sinais mistos entre as ações de maior peso. Segundo o InfoMoney, as ações da Petrobras (PETR4) subiram cerca de 2%, sustentadas pela alta do petróleo Brent, que superou US$ 90 o barril acumulando valorização superior a 3% na sessão, e por dados de produção recorde da companhia. No sentido oposto, os papéis do Santander Brasil desabaram 7% após o banco reportar seu menor lucro desde 2023 no segundo trimestre, segundo o InfoMoney, pesando sobre o setor financeiro dentro do índice.

Juros futuros locais sobem com pressão dos Treasuries

A curva de juros brasileira não ficou imune ao estresse externo. Conforme apurado pelo Valor Econômico, os juros futuros (DIs) fecharam sem direção única, mas com altas leves, seguindo o movimento dos Treasuries americanos. O mercado de renda fixa doméstico absorveu parte do impacto, sem traduzir a pressão externa em um movimento mais abrupto, reflexo de uma dinâmica fiscal local que segue sendo monitorada de perto pelos participantes do mercado.

Microsoft alivia, mas não sustenta Wall Street no positivo

Do lado corporativo americano, a Microsoft divulgou resultados que superaram as estimativas de crescimento em sua divisão de nuvem, conforme reportou o InfoMoney, oferecendo um contraponto momentâneo ao pessimismo do pregão. O alívio, porém, não foi suficiente para reverter a pressão gerada pela combinação de postura cautelosa do Fed e Treasuries em alta, e as bolsas de Nova York mantiveram as perdas até o encerramento.

O pregão deixa como herança um ambiente de maior cautela para as próximas sessões: a combinação de juros americanos elevados por mais tempo, rendimentos dos Treasuries em máximas históricas e volatilidade nos balanços corporativos tende a manter o apetite por risco comprimido. O mercado brasileiro acompanhará de perto qualquer sinalização adicional vinda do Fed, além do desdobramento dos resultados do segundo trimestre das empresas listadas na B3.