Petróleo Brent dispara mais de 4,6% no dia, enquanto Wall Street registra queda expressiva puxada pelo Nasdaq, que recuou mais de 2%.

Fechamento de Mercado - BolsaNews

23/07/2026 às 21h44

O Ibovespa fechou o pregão desta quinta-feira em queda, em sessão marcada pelo apetite reduzido a risco no cenário global. O dólar avançou frente ao real, refletindo a aversão a emergentes diante da escalada das tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos. Wall Street pressionou o humor externo, com perdas expressivas nos três principais índices americanos, lideradas pelo setor de tecnologia.

Tarifas dos EUA dominam o noticiário e o humor global

O principal vetor de pressão sobre os mercados foi a nova rodada tarifária americana. Segundo o Valor Econômico, setores como calçados, máquinas, peças e químicos passaram a ser tributados à alíquota de 37,5%. O movimento foi classificado pelo governo brasileiro como ‘mero expediente para substituir os 10% derrubados pela Suprema Corte dos EUA’, conforme declaração do ministro Durigan também reportada pelo Valor Econômico. A Secom, por sua vez, informou ao InfoMoney que as tarifas são consideradas arbitrárias e que o Brasil deve acionar a lei de reciprocidade, o que manteve o ambiente doméstico tenso e contribuiu para a alta do dólar ao longo do dia.

Ativo Variação Valor
Dólar ▲ 0,43% 5,080
Ibovespa ▼ 0,46% 176.724
Dow Jones ▼ 0,97% 51.712
S&P 500 ▼ 1,21% 7.408
Nasdaq ▼ 2,15% 25.138
Stoxx 600 ▼ 1,21% 639,27
FTSE 100 ▼ 0,73% 10.639
Petróleo Brent ▲ 4,63% 100,75
Bitcoin ▼ 0,45% 64.787
T-Note 10 anos (yield) ▲ 0,99% 4,703

Às 21h44 (Horário de Brasília)23/07/2026

Wall Street cai forte; tecnologia lidera as perdas

O recuo das bolsas americanas foi um dos principais drivers de pressão sobre o Ibovespa. O Nasdaq registrou a maior queda percentual entre os índices de referência globais, enquanto S&P 500 e Dow Jones também cederam de forma relevante. O movimento reflete a combinação de preocupações com o impacto das tarifas sobre cadeias produtivas globais e a elevação dos yields dos Treasuries, o rendimento da T-Note de 10 anos fechou próximo de 4,7%, nível que eleva o custo de oportunidade de ativos de risco em todo o mundo.

Petróleo em alta expressiva atenua parte das perdas locais

Em contraponto ao movimento de aversão a risco, o petróleo Brent disparou mais de 4,6% no pregão, superando a marca de US$ 100 o barril. O movimento favoreceu papéis ligados ao setor de energia na bolsa brasileira, servindo de parcial amortecedor para a queda do Ibovespa. A alta do petróleo reflete, em parte, a leitura de que restrições comerciais podem reorganizar fluxos de oferta e demanda globais, além de tensões geopolíticas que permanecem no radar.

Governo anuncia prorrogação da subvenção à gasolina

No front doméstico, o governo federal sinalizou a prorrogação da subvenção de R$ 0,44 por litro à gasolina, conforme informou o Valor Econômico. A medida tem potencial de afetar a percepção fiscal do mercado, que já monitora com atenção o equilíbrio das contas públicas. O anúncio não foi suficiente para alterar o viés negativo do pregão, mas tende a ser observado com maior atenção nos próximos dias à medida que seus impactos orçamentários sejam detalhados.

Com o ambiente externo ainda carregado pela disputa tarifária entre grandes blocos econômicos e os yields americanos em nível elevado, o próximo pregão deve seguir dependente do fluxo de notícias sobre o front comercial global. O comportamento do petróleo e eventuais reações de outros países às tarifas dos EUA estão entre os elementos que o mercado acompanhará de perto.