Ouro e petróleo lideram avanço nos futuros de domingo; divulgação do IPCA na quinta-feira é o principal evento doméstico da semana.

Os mercados globais reabrem a semana em território positivo, com o ouro registrando alta expressiva e o petróleo Brent também operando com avanço relevante, movimentos que refletem, em parte, o aumento da aversão a risco diante do cenário geopolítico internacional. Os futuros de Nova York abrem com viés positivo, ainda que o S&P apresente variação modesta. No Brasil, o foco da semana se divide entre a agenda de inflação e os desdobramentos externos.

Ouro em alta acende alerta para aversão a risco global

O avanço expressivo do ouro na abertura dos futuros de domingo costuma sinalizar aumento na demanda por ativos considerados reserva de valor, frequentemente associado a momentos de maior incerteza geopolítica ou macroeconômica. O telefonema entre Trump e Putin sobre a guerra na Ucrânia, somado ao pedido de Zelensky por uma ‘resolução americana’ para o conflito, mantém o tema em destaque. Analistas monitoram se esse movimento do ouro se sustenta ao longo da semana ou se trata de reação pontual ao noticiário de fim de semana.

Ativo Variação Valor
Ouro ▲ 2,57% 4.187
Petroleo Brent ▲ 1,99% 72,13
Dow Jones Futuros ▲ 0,84% 53.162
S&P Futuros ▲ 0,03% 7.557

Às 23h46 (Horário de Brasília)04/07/2026

IPCA de junho: termômetro da inflação brasileira

A divulgação do IPCA pelo IBGE na quinta-feira é o evento de maior peso para o mercado doméstico nesta semana. O índice será lido como referência direta para as expectativas sobre a trajetória da Selic, num momento em que o Banco Central segue atento à dinâmica dos preços. O Relatório Focus de segunda-feira, que consolida as projeções dos analistas de mercado, abre a semana antecipando o humor do mercado em relação à inflação e aos juros.

Venezuela: tragédia humanitária com impacto político regional

O número de mortos nos terremotos na Venezuela, que já ultrapassa 2.900, e a instabilidade política no país, com a tragédia sendo apontada como teste para a liderança de Delcy Rodríguez, aumentam a atenção sobre o risco regional. O Brasil enviou novo carregamento de ajuda humanitária ao país. Embora o impacto direto sobre os mercados brasileiros tenda a ser limitado, o evento compõe o pano de fundo de incerteza que tem favorecido ativos de proteção como o ouro.

Petróleo avança: geopolítica e oferta no radar

O Brent abre a semana em alta, movimento que o mercado tende a associar tanto ao contexto geopolítico, com o conflito na Ucrânia ainda sem resolução à vista, quanto a leituras sobre oferta e demanda global. Para empresas do setor de energia listadas na B3, o comportamento do petróleo ao longo da semana pode ser fator de volatilidade. Analistas acompanham se o movimento de abertura se traduz em tendência sustentada ou se arrefece conforme o noticiário evolui.

Bolsas americanas: futuros positivos, mas divergência chama atenção

O Dow Jones futuro abre com avanço mais robusto, enquanto o S&P futuro registra variação próxima da estabilidade, uma divergência que pode indicar rotação setorial ou cautela com ações de maior peso no índice mais amplo. A semana nos Estados Unidos também será observada pelo noticiário político em torno de Trump, cujas declarações sobre acordos internacionais têm potencial de mover mercados. O mercado brasileiro tende a reagir ao comportamento das bolsas americanas ao longo dos pregões.

Agenda da Semana

  • Relatório Focus (BC) Segunda-feira, 08h25.
  • IPCA Divulgacao em 10/07 (fonte: IBGE).
  • INPC Divulgacao em 10/07 (fonte: IBGE).

Com uma agenda doméstica centrada na inflação e um pano de fundo externo marcado por tensões geopolíticas e futuros em alta, a semana que começa exige atenção redobrada dos participantes de mercado. O comportamento do ouro e do petróleo na reabertura de domingo já dá o tom: a volatilidade segue como variável relevante, e os dados de inflação brasileira devem ser o principal catalisador local dos próximos cinco pregões.