Ouro dispara mais de 2,5% na abertura de domingo; petróleo e futuros de Wall Street também operam no campo positivo.
Os futuros globais reabriram neste domingo à noite com tom construtivo: o ouro abre com alta expressiva, enquanto o petróleo Brent também opera em terreno positivo de forma relevante. Esse movimento inicial sugere apetite por risco, e por ativos de proteção simultaneamente, num ambiente em que a geopolítica e os dados de inflação domésticos devem pautar o humor dos mercados ao longo da semana.
Ouro dispara: geopolítica volta ao radar
A abertura em forte alta do ouro chama atenção e reflete, em parte, o ambiente de incerteza geopolítica que persiste no cenário global. Conversas entre Trump e Putin sobre a guerra na Ucrânia, e o apelo público de Zelensky por uma ‘resolução americana’ do conflito, mantêm o tema no centro das atenções. Historicamente, períodos de indefinição em negociações de alto perfil tendem a aumentar a volatilidade em ativos de refúgio e em commodities energéticas.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Ouro | ▲ 2,57% | 4.187 |
| Petroleo Brent | ▲ 1,99% | 72,13 |
| Dow Jones Futuros | ▲ 0,84% | 53.162 |
| S&P Futuros | ▲ 0,03% | 7.557 |
Às 23h11 (Horário de Brasília)04/07/2026
IPCA de junho: dado mais aguardado da semana
A divulgação do IPCA pelo IBGE, prevista para quinta-feira, é o evento doméstico de maior peso na agenda. O índice servirá como termômetro do comportamento da inflação no país e pode influenciar as expectativas em relação aos próximos passos da política monetária do Banco Central. Junto com o INPC, o dado compõe um quadro mais amplo sobre o poder de compra das famílias brasileiras.
Relatório Focus: expectativas de inflação em foco
Logo na manhã de segunda-feira, o Banco Central divulga o relatório Focus com as projeções de mercado para inflação, câmbio, crescimento e juros. O documento será lido com atenção especialmente às expectativas de IPCA para 2026 e 2027, num contexto em que qualquer revisão para cima pode reforçar a percepção de que o ciclo de aperto monetário ainda não chegou ao fim.
Petróleo sobe, mas Venezuela segue instável
O petróleo Brent abre a semana em recuperação, movimento que o mercado acompanha com cautela. A Venezuela, um dos produtores da região, atravessa momento de instabilidade política e humanitária severa, o número de mortos nos terremotos ultrapassou 2.900, o que adiciona um fator de risco sobre a oferta regional. Analistas monitoram se o cenário venezuelano pode influenciar a dinâmica de preços ao longo dos próximos pregões.
Wall Street: futuros positivos, mas S&P quase neutro
Os futuros do Dow Jones abrem com alta moderada, enquanto o S&P futuro opera próximo da estabilidade, uma divergência que merece atenção. O padrão sugere seletividade: investidores podem estar avaliando com mais cautela os valuations das grandes empresas de tecnologia que pesam no S&P, enquanto setores mais tradicionais, refletidos no Dow, capturam o otimismo da reabertura. A semana americana não tem grandes catalisadores de agenda, o que deixa o mercado mais sensível a ruídos externos.
Agenda da Semana
- Relatório Focus (BC) Segunda-feira, 08h25.
- IPCA Divulgacao em 10/07 (fonte: IBGE).
- INPC Divulgacao em 10/07 (fonte: IBGE).
A semana que começa reúne ingredientes para volatilidade em múltiplas frentes: um cenário externo movimentado por geopolítica e reabertura otimista dos futuros, e uma agenda doméstica concentrada nos dados de inflação de junho. O comportamento do ouro e do petróleo já na abertura de domingo indica que os mercados chegam atentos, e qualquer surpresa nos números de inflação ou novo desdobramento nas negociações de paz na Ucrânia pode mudar rapidamente o tom dos pregões.