O mercado de câmbio brasileiro registrou queda expressiva do dólar frente ao real na manhã desta sexta-feira, em reação direta à divulgação do relatório de emprego norte-americano, conhecido como payroll, referente ao mês de junho. Os dados mostraram que a geração de postos de trabalho ficou significativamente abaixo das projeções dos analistas, ainda que a taxa de desemprego tenha recuado no período.
O resultado frustrou expectativas e levou agentes financeiros a retirar parte dos prêmios embutidos nos contratos futuros de juros dos Estados Unidos, reduzindo a atratividade relativa dos ativos denominados em dólar. Com isso, a moeda norte-americana perdeu força de forma generalizada nos mercados internacionais, criando espaço para o alívio cambial observado também no Brasil.
Por volta das 9h40, o dólar era negociado a R$ 5,1617 no mercado à vista, com recuo de 0,92% em relação ao fechamento anterior, segundo dados acompanhados pelo Valor Econômico. O contrato futuro da moeda para agosto operava em queda de 0,80%, cotado a R$ 5,2000. O euro comercial também exibia movimento, com baixa de 0,16%, a R$ 5,9181.
A leitura do mercado é que um mercado de trabalho menos aquecido nos Estados Unidos diminui a pressão sobre o Federal Reserve para manter uma postura mais restritiva na condução da política monetária. Esse reequilíbrio de expectativas tende a impactar o fluxo de capitais globais e, consequentemente, as moedas de países emergentes como o Brasil, que se beneficiam de um dólar mais fraco no cenário externo.