Estados Unidos e Irã encerraram, nesta quarta-feira (1º), uma rodada de negociações indiretas realizada em Doha, no Catar, sem que as partes tivessem avançado nas questões centrais que motivaram o conflito iniciado em fevereiro. Segundo fontes a par das discussões, os negociadores passaram dois dias tratando de temas técnicos previstos no acordo provisório de junho, como a retomada plena do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz e o desbloqueio de fundos iranianos congelados.
O programa nuclear do Irã, principal razão declarada pelos Estados Unidos para o engajamento militar ao lado de Israel, não foi discutido nesta rodada, de acordo com as mesmas fontes. Em Washington, o presidente Donald Trump afirmou aos repórteres que a desnuclearização do país avançava bem, mas o vice-presidente JD Vance reconheceu que o tema ainda seria tratado em etapa posterior. “Obviamente, estamos preocupados com a questão nuclear; vamos começar a discutir isso”, disse Vance, segundo relatos da imprensa norte-americana.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar informou que as conversas produziram “avanços positivos” em relação ao memorando de encerramento da guerra, assinado em junho, e que a próxima reunião ocorrerá após os funerais do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, cuja cerimônia está prevista para 9 de julho. Os negociadores dos dois países não se reuniram diretamente, conduzindo as sessões por meio de mediadores do Catar e do Paquistão. Jared Kushner e Steve Witkoff, enviados pela Casa Branca como representantes de alto nível, não participaram das sessões, conforme uma fonte que falou sob condição de anonimato.
O Estreito de Ormuz, via por onde circulava um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito, permanece em situação instável. Duas fontes iranianas seniores afirmaram que Teerã está determinada a obter reconhecimento internacional de seu controle sobre o estreito e planeja cobrar pedágios do tráfego marítimo a partir de meados de agosto, ao final do período isento previsto no acordo inicial. Nesta quarta-feira, a mídia estatal iraniana noticiou que um navio estrangeiro com contêineres encalhou em águas rasas fora da rota designada pelas autoridades iranianas. “O Estreito de Ormuz continua a ser reaberto, mas de forma irregular, imprevisível e não totalmente transparente”, avaliou Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, empresa especializada em análises do mercado de petróleo.
Os mercados de energia reagiram às declarações de Trump, que minimizaram a possibilidade de retorno a um conflito de maior escala. Os preços do petróleo recuaram ao menor patamar em quatro meses após as falas do presidente norte-americano, e analistas revisaram para baixo suas projeções de preço pela primeira vez desde o início da guerra, segundo informações do Valor Econômico. Vários países europeus manifestaram interesse em apoiar a remoção de minas do estreito, mas o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, disse não esperar participação alemã no esforço, citando a falta de disposição iraniana em cooperar com terceiros.